
- Kampfar | Til Klovers Takt [Indie Records]
Com uma capa de álbum absolutamente soberba, uma apropriação da pintura Fogueira da Vila à Noite, do pintor romântico alemão Heinrich Bürkel (1802-1869), este é o nono álbum dos noruegueses formados em 1994.
O título, numa tradução livre, significa “ao ritmo do trevo”, e desde que ouvi o single Urkraft fiquei com grandes expectativas para este álbum. O baixo e a bateria saúdam-nos como um trovão em grande força antes de surgirem as guitarras rasgadas e uma performance vocal que fica como uma das minhas favoritas do ano. Mais um álbum de qualidade destes pagãos nórdicos.
- Djevel | Naa skrider natten sort [Aftermath Music]
Outro álbum de uma banda norueguesa, os Djevel são muito diferentes da majestosidade épica e pagã dos Kampfar. Aqui, a banda abraça a “noite que avança negra” (tradução livre do título do álbum), e de que maneira. Com riffs que nos fazem lembrar os anos dourados do Black Metal norueguês, a banda consegue cobrir-nos com uma atmosfera completamente sufocante e avassaladora. As músicas são geralmente longas, o álbum tem uma hora (!) de duração, mas nunca parece repetitivo e é um prazer contemplativo, estando por vezes mais próximo de ser um álbum de Black Metal Atmosférico.
- Trhä | Endlhëdëhaj Qáshmëna Ëlh Vim Innivte Trhä [Independente]
O único membro desta banda (ou projecto?), do Texas, Thét Älëf, Nönvéhhklëth detna hacëntera Trha, Jôdhrhä dës Khatës, Dlhâvênklëth fëhlätharan ôdlhënamsaran Ebnan (como não adorar os exageros do Black Metal?), decidiu lançar não um, não dois, nem sequer três, mas quatro álbuns em 2022. Fazendo uma visita à página do artista nos Metal Archives, vemos que “According to the band, “Trhä” means ‘the key to true perfect magic, true fantastic desires and pleasures, and this distant magic place’”. Ouvindo a primeira música do álbum, meramente atmosférica, unicamente com sintetizadores, ficamos avisados da qualidade contemplativa deste álbum. A partir da segunda faixa somos recebidos com Black Metal frio, lo-fi, com vocais distantes e sôfregas e com raros momentos de melodia igualmente desesperados e reconfortantes.
- Précieux Sang | Les nuits de Gethsémani [Eisenwald]
Estou sempre atento aos lançamentos da Eisenwald, por norma adoro os seus lançamentos. Vendo este lançamento de Black Metal do Quebec, sendo eu também um sucker por Metal Noir Quebecois, parecia ser um casamento feito no céu (ou no inferno, ou no gelo, como preferirem). Felizmente verificou-se. Três músicas, trinta e seis minutos de um álbum que sabe exactamente aquilo que é que não tenta ser mais que isso: um assalto de Black Metal feroz com riffs absolutamente memoráveis, vocais torturadas, com raros momentos de paz inquieta. E já agora, a capa é linda.
- Ashenspire | Hostile Architecture [Code666 Records]
Black Metal pelo proletariado, camaradas. Citando directamente da Wikipedia, “Hostile architecture is an urban-design strategy that uses elements of the built environment to purposefully guide or restrict behaviour. It often targets people who use or rely on public space more than others, such as youth, poor people, and homeless people, by restricting the physical behaviours they can engage in.”
A música traduz bem este conceito, com Black Metal absolutamente dissonante e opressivo, com violino (!), com vocais limpas e chateadas contra o sistema, estes escoceses fizeram algo de verdadeiramente especial com este álbum. Mais político do que aquilo que é comum em Black Metal, não deixem que isso vos afaste de uma verdadeira gema musical.
- Nubivagant | The Wheel and the Universe [Amor Fati Productions]
Lembro-me de estar no Hard Club e numa conversa com o Manuel da Bunker Store ele me recomendar esta banda (Obrigado Manuel!). Black Metal obscuro com vocais limpas (e com uma performance do caraças), com traços a fazer lembrar Urfaust? Sim, por favor! Esta one-man band de Itália faz um Black Metal atmosférico com uma bateria repetitiva mas hipnotizante que não nos larga. Para quem gosta (como eu), de Black Metal que nos faz entrar em trance para viver a experiência completa e penetrante do álbum, este lançamento é um must.
Menções Honrosas
Deathspell Omega | The Long Defeat [Norma Evangelium Diaboli]
Gaerea | Mirage [Season of Mist]
Drudkh | All Belong to the Night [Season of Mist Underground Activists]
Verberis | Adumbration of the Veiled Logos [Independente]
Ultha | All That Has Never Been True [Vendetta Records]
Belphegor | The Devils [Nuclear Blast]
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